Espiritualidade

Ser Mãe em Meio a uma Pandemia

09 de Maio de 2021

A maternidade é cheia de desafios. Segundo Provérbios, “Reveste-se de força e dignidade; sorri diante do futuro. Fala com sabedoria e ensina com amor. Cuida dos negócios de sua casa e não dá lugar à preguiça. Seus filhos se levantam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: "Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera". A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme o Senhor será elogiada.” (Provérbios 31:25-30).

Desde o início de uma gestação, passando pelo nascimento, primeiros cuidados, primeira infância, ingresso escolar, adolescência e idade adulta, todos os dias, ano após ano, as mães se reinventam, se descobrem e ressignificam a maternidade. Em meio ao contexto atual - a pandemia de Coronavírus – novos desafios foram impostos – o cuidado redobrado por medo da contaminação, o ensino domiciliar, a reclusão por conta do isolamento e os conflitos decorrentes dele. Para escrever essa reflexão, retomei a leitura de uma obra com a qual presenteei minha mãe há muitos anos, por ocasião do Dia das Mães de 2008, “Carta aberta para minha mãe”, de autoria de Gabriel Chalita. Enquanto repasso as páginas, me deparo com a seguinte declaração em forma de dedicatória:

“Minha heroína É difícil dizer por meio de palavras o quanto orgulho tenho em ser sua filha. (...) Obrigada por despertar em mim toda vontade que tive de ser sempre sua sombra, portar ao menos um pouco do seu conhecimento e de sua sabedoria (...)”

Eu havia acabado de tornar-me mãe e estava começando a entender aquela velha frase: “um dia você vai ser mãe, um dia você vai entender.” Que tolice imaginar que com o parto esse conhecimento fosse se manifestar de modo imediato. Aprendemos e nos reinventamos todos os dias. Hoje reflito e percebo que pouco sei, mas me reconheço como mãe nos gestos que observei sendo filha. Hoje, depois de exercer três maternidades – uma biológica, uma adotiva e a da minha própria mãe, que se tornou “minha filha” após desenvolver a Doença de Parkinson e com ela conviver há mais de 20 anos Concluo – ainda que, de forma provisória pela pouca idade que tenho na função de mãe - que essa função é doação, paciência, presença, dedicação e muito afeto. Torno-me também, presença e dedicação na vida de cada um dos meus alunos, ao exercer o magistério como profissão que escolhi e que me escolheu.

Por fim, faço minhas as palavras de Chalita, que sintetizam a homenagem em algumas linhas, destinadas a todas mães:

“Se a vida não pára e nos vai calejando, arrancando de nós sonhos aos punhados, a memória provê que consigamos manter acessível um mundo que já se foi. Especialmente o mundo da infância, em que a mãe, como a flor de mil cores, enfeitava nossos dias de ensolarada alegria.” (CHALITA, 2006, p. 8-9).

Que renovemos, dia após dia, a vontade e a capacidade de construir essas memórias lindas que, num futuro, assim que o tempo – força implacável que nos assola - preencham de afeto e carinho as lembranças que teremos de nossas mães.

Francieli Lunelli Santos
Filha da dona Néli, mãe da Ana Luiza e da Lívia Gabrieli
Professora do Colégio Sant’Ana. Formada em História e Sociologia.
Especialista em História, Arte e Cultura. Mestre e Doutora em Ciências Sociais Aplicadas.

Artigos Anteriores